Do fim que você não me salvou

underwat

Naquele lugar inóspito e impessoal eu não lembrei de você. Não porque não pense em você sempre – ainda cometo essa gafe – é porque havia tantos corpos e tanto a fazer que procurei não questionar e agir. A ação é sempre melhor que as intenções, e de que adiantaria tê-lo no meu coração e no meu imaginário se ali você não estaria para me tirar daquela situação. Refém dela, aproveitei. Sei que não foi a melhor opção, mas acho que perdi o “traquejo” de discernir o que é melhor para mim. Sua ausência esburacou essa possibilidade. Vago. Talvez um dia encontre sentido.

Do fim que você não me salvou não é fácil escapar. É como se minha alma, descompassada e contaminada pelos vícios de outrora, cedesse. E voltasse a falhar. Num ciclo vicioso e interminável. Sua ausência me trouxe essa constatação do meu desconsolo diário. Sem você, ficar a mercê é rotina.

Você não me roubou dos palcos e nem da platéia. Não foi protagonista da situação e me condenou a ser coadjuvante numa fantasia. O amor é isso no final, uma mal acabada ilusão num período. Como se recuperar do desamor? Ajoelhando para outro? Quantos outros entram dentro de nós para que possamos renascer?

Perdi a noção dessa minha contagem mórbida e invulgar. Insolente e cruel. Assim como será supor você amanhã. Esse momento é sempre complexo, principalmente quando fecho o olho para receber outra boca que não a sua em meu corpo. E é quando me sugam e tentam me engolir que mais me aflinjo e cedo. Pois abaixar a guardar é uma forma de se socorrer no outro. Vai que ele me atinge em cheio e…

Naquele lugar sombreado e cheio de gente, eu procurei focar no que estava ali, a um palmo de distância. Talvez fosse minha forma de lidar com a frustração de não poder te supor tão perto de mim. Porque nunca me devolveu essa possibilidade?

Se aquele lugar me trouxesse pelo menos a ilusão da sua pessoa, acho que não me importaria com tantos estranhos. Mas é ao contrário, é no outro que visualizo o poço no qual cai e não é possível visualizar sua mão. Como estará suas mãos? O que/quem ela segura? Com que intensidade? Penso e me machuco. Suponho e me maltrato. O amor não correspondido é um poço sem fim. Sonho com a linha de chegada.

Estou condenado, sabia? E não dá forma como você achou que me condenaria, não que eu saiba. Mas, estar falível nessa inquietude constante é uma espécie de sina mórbida e solitária. O amor poderia ter me salvado. Não o meu para você, mas a concretização do seu para mim, simples assim. Banal assim, como de novela, num filme B, nos sonhos de qualquer um.

Nas mãos de qualquer um eu só sonho com você.

 

 

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