A “loucura” de Lena Roque

WP_20170506_007[1]

Quando nos deparamos com uma operária da arte, a única coisa que podemos fazer é sentar e observar. E foi o que fiz ontem. Sentei para fazer “volume” na plateia, mas o que me surpreendeu foi que mesmo com o teatro vazio, Lena Roque defendeu sua personagem com unhas e dentes. Não “temeu” a ausência de público. Se preencheu de algo que – nós atores – não conseguimos denominar e foi pra “guerra”.

Desprovida de expectativa, a atriz pôde se divertir e se deixar levar pelo drama de “sua” louca de amor, que “quase” surta pela ausência do ato sexual. #quemnunca? , você pode se perguntar em dado momento. A loucura da personagem e da artista se misturaram no palco e quem conhece Lena pessoalmente sabe que ela é por natureza engraçada. Mas o que vi ontem, foi um “plus” dessa que faz os amigos rirem das mazelas da vida.

Lena sobe nas escadas e pendura sua cortina; Lena cola o cílios postiços no escuro enquanto o técnico passa a luz; Lena ameaça chorar quando as dificuldades parecem insuportáveis, mas logo se harmoniza para acreditar que tudo vai ficar bem. E ficará, quem está ao lado dela automaticamente acredita.

Aprendi com a Lena que nunca se deve fazer uma peça com 57 vinhetas. É uma loucura insana. Sim ela é um pouco maluca mesmo. Mas também aprendi com ela que é possível ser irônico e debochado com muita sutileza. Quando questiono a sua delicadeza, quando sei que ela quer ser diferente, ela responde: “sou gentil sempre“.

Então ontem vi ela sendo gentil com seu oficio, e principalmente consigo mesmo. Serva de si mesma. Respeitando suas escolhas e pagando o preço delas, resignada. Eis ai uma qualidade que admiro no outro: sua capacidade de resignação. Não há como não se curvar diante de uma pessoa que se aceita e prossegue. Que naufraga, se afoga, se debate mas tenta seguir em frente. Em-cena-e-no-camarim, acho que vi isso ontem. Acho que tenho percebido isso à dias. Acho que….

Quando questionei que só havia duas pessoas na plateia, Lena não excitou: vou fazer. E foi justamente ontem que ela deu tudo de si. Eu ria dela e com ela e do que estava por trás de tudo o que estava escamoteado ali em cena.

Recentemente circulou pela a história de um ator europeu que sem ninguém na plateia fez sua peça mesmo assim. O vídeo  – muito bem editado por sinal – circulou pela internet, revelando muito mais do que um ator que não tem público. Revelando, pessoas que não desistem do seu ofício, mesmo quando tudo joga contra. Ontem parece que vi ao vivo alguém da “mesma” família desse ator. Ontem…

Esse dia ficará marcado para um futuro quando as estradas nos separar – eu e Lena – e restarmos na lembrança um do outro. Ontem… enquanto fazia volume na plateia do Teatro Décio de Almeida Prado fui sendo preenchido de algo que não consigo denominar, mas que me abastece.

E acho que no fim é isso que importa né: alguém que nos preencha de alguma forma.

O amor acaba amiga, mas espero que as boas lembranças não 😉

Boa sorte minha cara, muito boa sorte.

 

Louca de Amor – Quase Surtada (c/ Lena Roque)

Teatro Décio de Almeida Prado – Rua cojubá, 45 – Itaim Bibi – Tel: 3079-3438

Sexta(21h) e sábado (19h) – até 27/05

Livre – 60 minutos – R$20

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s