O dia que amanheci com você no passado

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Onde fica guardado o amor depois que colocamos um ponto final na história? Ficou ruminando isso por dias. Não encontrou a resposta. Segue arrastando essas reticências. O coração esburacou. Murchou.

Aprendeu na escola que os pontos finais encerram frases. Deveriam também encerrar discusões, opiniões diversas e situações sem saída. E se dentro dele, sua história for tudo isso junto e misturado, como faz?

A mãe dele não havia ensinado como faz para prosseguir quando se amanhece esvaziado de expectativas. Elas são importantes mesmo quando se sabe que alimentá-la é uma tolice. Mas o que somos nós além de um apanhado de ilusões esperançosas sobre o amanhã, o outro e o amor um dia?

Naquele dia ele chorou mudo… não saiu som, eles não existem nesse campo devastado por tanta rejeição que virou sua memória. O que é a memória? Lembramos para sobreviver ou para reviver? Lembramos por apego, ou por saudades? Naquele dia ele queria desesquecer. Não dava, não deu. Ele inflou por dentro de solidão e saudades. Naquele dia ele vagou por ai. Esvaziado de sentido.

O dia que amanheceu com o coração no passado, havia siléncio. Havia escuridão também. Fazia frio, era cinza a perspectiva do dia. Estava abarrotado seu olhar no espelho. Naquele dia ele recomeçou uma nova história. A do dia que o outro viraria uma história a se contar, quem sabe um dia, para ser revivido nem que fosse no calabouços das esperanças. Da falta e da saudade do abraço… do olhar… do cabelo… da ingenuidade alheia… Nem que fosse para se fazer verdade na boca alheia, mesmo sabendo que seria tudo mentira na boca do outro. Agora criaria conflitos com quem?

Não chorarão mas de ódio um pelo outro. Não irão se irritar tão facilmente. Não irão se sentir confusos e inquietos.

Na lembrança só deveria restar o que apazigua. Mas dentro dele só há o que inflama. E o que inflama arde, e se arde lateja e se lateja dói e se dói… #fudeu

Os dias seguem. O passado permanece se fazendo presente. Os caminhos se renovam.  A casa do outro não pode ser frequentada. A própria casa o outro não sabe chegar.  Não saberá  mais dos passos do outro. Sua vida não interessa para ele. Não terá mais inveja de quem passa as noites com ele.  A carência e a saudade, são suas companheiras daqui por diante. Até que a vida abrande os ontens e o sorriso de saudades (levinha, ele pede ao céus) apareça as vezes, para temperar com boas lembranças o presente. Tudo o que não foram juntos.

Existe essa possibilidade?

Na foto: Hugo, crédito: Ricardo Rico

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