A Mãe eterna – Betty Milan

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(…) Você, toda encurvada, é mais pobre do que os mais pobres, mais despossuída. A sua esperança de vida é a menor. E, embora você diga e repita que está preparada para morrer, não aceita a morte. (p.10)

(…) Quando senta, dá a impressão de que não vai mais levantar.  Isso ora me dá pena, ora me causa horror – o horror do que posso vir a ser. Não sei se a compaixão, que os  religiosos preconizam e alcançam, é o resultado de um esforço heroico ou da negação da realidade. Será que eles enxergam o que veem? Por que você e eu temos que passar por isso tudo? (p.10/11)

(…) A sua dependência não pode me alegrar. Que filha quer ser a mãe da mãe? A pergunta não significa que eu não esteja disposta a “cumprir meu papel”. Me disponho ao necessário, porém, queira ou não, eu peno – não sou monge nem padre. (p.14)

(…) a vida será mais fácil depois que você não estiver aqui. Não vou ter medo de que algo de ruim te aconteça. (p.16)

(…) Você hoje é menos a nossa mãe do que o legado de si mesma. Semiviva, como um passarinho que quebrou a asa destinado a permanecer até o fim no chão…que já não é passarinho, pois não voa. (p.24)

(…) Só não desejo a sua morte porque você, de repente ressurge como era… uma palavrinha ou um gesto que evoca o passado…e você me dá a ilusão… (p.24)

(…) Nós não estamos mais sujeitos à mesma lógica e é um suplício impor isto ou aquilo. Entendo por que o lar dos velhos existe. (p.27)

(…) Gostaria de ser budista para considerar que o envelhecimento é natural e não me tocar. Só que o envelhecimento, em geral, ao qual os budistas se referem, é uma coisa, e o da mãe, em particular, é outro. (p.31)

Ninguém envelhece sem se transformar.

(…) Não quero viver com o que terá sobrado de mim. O aumento da sobrevida está danificando a sua vida. Por que nos incutiram a ideia de que estar vivo é só o que importa e que nós estamos vivos enquanto o corpo resiste? (p.39)

(…) Ninguém duvida da existência do instinto nos animais. Nenhum deles tem a liberdade de não viver. Mas nós temos, e o que nos diferencia é isso. (p.40)

(…) Não ousa nada de novo. Ser velho é isso. Pouca coisa te move (p.42)

Quanto te ouço, eu preciso de consolo

(…) Quero ficar só com as suas palavras até o seu fim e o meu, ao qual estarei mais exposta assim que você se for. (p.50)

(…) O suicídio não é um atentado à vida quando esta é contrária a quem está vivendo, e você hoje, vive na contramão. Isso me intriga e eu me pergunto por que você não se desapega. Talvez tenha a ver com a ideia de que, depois da morte, não resta nada. (p.57)

Sua vida está num impasse e, consequentemente, a minha também.

A sua resistência é a prova do quanto você deseja viver.

Quem não se acovarda diante da velhice extrema?

Cada falha sua é uma facada.

Não sei quem serei depois da sua morte.

A velhice castra antes de a morte ceifar e por isso é tão aterradora.

Quero o seu fim, porém não o desejo. Você, como eu, está entre o querer e o desejar.

Sem querer, você me ensinou que não se conformar com um fato é uma maneira de desacreditá-lo.

(…) Você se tornou irresponsável, porém não tem nada a ver com uma criança. Porque dela a gente espera que se torne responsável um dia  e de você nós não esperamos mais isso. A velhice extrema, como a doença terminal, é sinônimo de falta de esperança. (p.136)

Obs: fragmentos do livro  de Betty Milan, “a mãe eterna – morrer é um direito”

Livro-A-Mae-Eterna-Morrer-e-um-Direito-Betty-Milan-7871995

 

 

 

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