Quando o sentimento perde

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Quando ela me disse que não conseguia dizer não. Que não conseguia reagir, se defender, se impor. Quando revelou que se submetia ao outro porque era refém do seu sexo, das sensações proporcionadas pela pele do outro. Quando ela ao se revelar exemplificou quando o sentimento perde para a obsessão. Eu respirei fundo, olhei para ao azul do céu e disse:

– Não acredito que haja amor, onde há tentativa de controle. Não acredito que uma relação saudável é pautada pelo empoderamento que se sente diante do afeto alheio. Na verdade, acho uma pobreza de espirito.

Olhando para minha amiga, fiquei pensando nas obsessões que carregamos quando o outro nos afeta. Queria poder dizer o caminho que ela deve seguir para se livrar de si mesma. Pois na verdade, o objeto amado é pequeno diante da monstruosidade que nos tornamos quando sentimos falta do outro.

Sempre me pego a pensar que insanidade é essa que permeia nosso imaginário e nos faz perder o rumo da vida. A volta para casa, e nesse caso, a casa é a gente mesmo, nosso corpo, nosso coração. Mesmo que queiramos ser devastado pelo outro, e a graça é ser destruído mesmo, convenhamos. Como sobreviver para além das nossas necessidades?

Ai amiga, somos tão pequenos e frágeis perante nossos sonhos prestes a ser destruído. Diante dessa carência que nos toma por inteiro enquanto o outro vê prazer em nos destruir, nos negar, zombar – mesmo que discretamente – de nosso sentimentos e necessidades. Sempre vou achar um “desserviço” se gostar de quem não gosta da gente. Ou pior, de quem não é capaz de tentar corresponder.

Mas amiga, ele corresponde, convenhamos. Te suga inteira, te consome aos pedaços. Te impõe os limites. Te machuca fisicamente enquanto você goza e isso é bastante. E ele tem fome de você. E isso é lindo. Afinal não é isso que desejamos? Que alguém nos ame, nos deseje, mesmo que nos lugares do corpo onde mesmo apreciamos? E você é desejada como nunca. Acho uma epifania, se apegue a isso baby, please!!! Mesmo que seja a única coisa que te restar.

O sentimento perde poder quando deixamos que ele nos tome e quando dialogamos com ele, mesmo na dor, procure forma de abrandar as aflições, quem sabe assim, conviver com ele te torne capaz de entrar em harmonia com os dessabores de uma paixão que não é correspondida a contento. Amiga, se ajude, pois não é o outro que fará isso. As paixões servem para isso, para nos inebriar e nos botar para escanteio e descobrirmos nossa miséria sentimental.

Não fuja de si e nem de seus medos. Eles tem que estar caminhando junto com você, de modo que você possa observa-lo, encara-lo. Que possa pega-lo com a unha nos momentos em que o desespero bate e você está só.

Minha amiga queria desabafar. Eu a ouvi. Engoli meu grito. E saboriei da dor alheia, não de forma sádica, mas como que a pensar que todos tem as suas feridas inflamadas. No melhor estilo, vamos sentar na sarjeta e apreciar a desgraceira, ficamos. Rindo de nossos senões e nossa miséria.

Ah amiga… já que não se ganha quando se foca nessa pequenez que é saber quem cede mais, o que e quando. Já que você sabe que é necessário encarar seu fantasmas para amadurecer. Lute. Por você, não pelo outro. Pois o outro amiga, bem sabemos, nos deixará numa esquina qualquer de forma sacal e insana.

Ainda carecemos de alguém que bata na porta e não nos deixe ir embora. No seu caso, a porta se abre e ele te possui fisicamente de forma que te tira o ar. Repito, viva esse momento, enquanto ele durar. Até o fim de tudo.

E torcemos para que esse que nos tira o eixo, esteja tão perdido quando nós. Quem sabe assim, no reino dos desencontros possamos ser felizes, mesmo que aos poucos.

 

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