Falhei, pensei em você

“Nightime comes calling on me/ I know why I’ll never be free (...) I’m gonna Love him till the end of time” – Nina Simone (Plain Gold Ring)

“Nightime comes calling on me/ I know why I’ll never be free (…) I’m gonna Love him till the end of time” – Nina Simone (Plain Gold Ring)

Não adianta, quando o outro não é suficiente para me roubar completamente a atenção, eu fecho os olhos e penso em você. Não quero, mas é assim que é. Me traio pois não aproveito o momento e me apego a uma ilusão. Você não existe ali – nunca existiu – mal consegue se firmar na minha lembrança, mas eu falho e fecho os olhos e penso em você, no que suponho ser você, na (im)possibilidade de.

Fico a pensar o que faz com que esqueçamos as pessoas. Será outra no lugar? Não acredito nessa opção. Nunca quis te substituir, você não é substituível. Então como conviver com essa lembrança, que as vezes me toma como uma sombra. Não essa sombra boa que vem para nós confortar de um sol quente – por exemplo. Mas talvez aquela sombra que nos indique chuva, e das fortes. Então me encolho e espero ‘você’ passar.

Obedeço e espero. Que mais posso fazer?

A mãe de uma amiga foi diagnosticada com Alzheimer, achei bom. Ela estava com os dias tão sofrido e tristonhos, se sentindo abandonada, passando por necessidades e tal, vagando por ai, que talvez esquecer sua vida seja um bálsamo. Um alivio. Ok, é exagero comparar uma coisa com a outra, eu sei, mas o esquecimento sempre me vem, como o melhor remédio.

Sempre quis esquecê-lo, sempre. Sempre quis poder seguir sem associar músicas a seu nome, cores aos seus olhos, sem precisar lembrar que tenho um arquivo com suas fotos. Para que isso pudesse ser sanado, só sua presença. Isso só vai passar quando substituir o imaginado pelo vivido. A idéia pela “coisa”. Só você, de corpo presente.

Nesse dias em que você me rouba a atenção, penso em como você deve estar, quem deve te ajudar. E torço, e penso e peço – para isso que chamamos de Deus – que alguém te ajude/conforte. Quem faz o que eu deveria estar fazendo? Diga…

Pensar em você não me leva a lugar nenhum. Sinto falta de quando isso me levava para um lugar mais esperançoso e menos árido do que o que vivo agora. Sinto falta daquela ilusão saborosa de quem vê um Oasis e não se intimida se é verdade ou não, só quer é matar a sede, suavizar o desconforto, se alimentar de mentiras. Você sempre será minha mentira preferida. A que não pude desfazer. A que ficou por dizer. Ser…

Os amigos que souberam de ti, sabe que carrego essa efemeridade que é você, esfumaçando meu peito. Alguns amigos sabem desse tombo  que eu levei e do meu esforço para não ficar lá, com a cara estatelada no chão.

Mas quando penso em você… ah quando penso em você… percebo que minha cara continua ali, rente ao chão. Me sinto aquém, mentindo a mim e ao outro que se esforça para se fazer presente na minha carne.

Falhei, pensei em você, desculpe… as vezes não consigo simplesmente “ir viver a minha vida”.

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