300°

" ...somos analfabetos perante os nossos próprios sentimentos.(...) Diante da dor, somos analfabetos e vamos repetir as tristezas até acomodá-las. Ninguém nunca está atrasado para se revelar" - Carpinejar

” …somos analfabetos perante os nossos próprios sentimentos.(…) Diante da dor, somos analfabetos e vamos repetir as tristezas até acomodá-las. Ninguém nunca está atrasado para se revelar” – Carpinejar

Tenho medo desta lembrança que você se tornou dentro de mim. Lembranças essas que me parecem fantasmagóricas a me assombrar, borrando algo dentro de mim que não apreendo. Roubando de mim a vitalidade da esperança, a ilusão da procura. Me condenando ao calvário da espera. E se você for como os mortos, que jamais retorna, o que farei da vida?

300 dias da sua ausência, da sua partida, da sua grosseria, do seu desgosto de viver. Eu conto sem querer querendo os dias. Eu penso sem querer querendo em você. Eu vejo sem querer querendo as suas referências. Me fodi. Minha memória não me dá trégua. E isso não para. E aquela velha questão: o problema não é o que passou, mas sim o que ficou. Como lidar com isso? Com você vagando por ai sem eu poder fazer nada. Tropeçar em você, te empurrar, te ferir, te socorrer, prender você, te sequestrar.

Tenho medo de viver sem você.

Muitas coisas não fazem sentido.

Muitas pessoas…

E você não me roubou fisicamente para você. Não completou a fantasia que sugeriu. Mas mesmo assim danificou a mim com suas atitudes. Sua ausência.

Quero esquece-lo. Parar de pensar, de fazer associações, ter esperanças, de ser escravo desse sentimento. De enlouquecer. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinho.

Tenho medo de ficar esperando você. Do que me tornei. Do que ainda posso me tornar. De ser como as mulheres da minha família e restar amarga e seca. Infeliz e solitária. Eu sou uma delas… triste sina.

300 dias… mas para mim você foi embora ontem. Permanece vivo dentro de mim como uma chama que não apaga. Venha e me incendeie de vez.

Vou precisar morrer para que você morra junto?

“Não é fácil para mim, deixar para lá/Pois eu engoli cada palavra/E cada cochicho, cada sussurro/Corrói esse meu coração/E há um vazio em mim agora”.

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