Quem suruba por ai?

“Identifico-me com “gays” audaciosos, porque na pior das hipóteses, audácia é melhor que frustração”

“Identifico-me com “gays” audaciosos, porque na pior das hipóteses, audácia é melhor que frustração”

Numa suruba duas coisas não podem faltar: ousadia e humor. Membros duros também, óbvio, e claro, bebidas, drogas, tudo junto misturado. Sim, todo mundo gosta de ser descolado, mas com certo grau de perda de raciocínio. Surubinha entre amigos é algo moderno e descolado. Para os amigos dos outros, não os meus;

E não digo isso por despeito já que cometo todas as sandices lúcido, e com a consciência em perfeito estado. Tiro os óculos e nem a visão embaçada me impede de ver, sentir. Quero vê-los em suas plenitudes sexuais e isso não necessariamente deve me incluir. Afinal sou do tipo amiga-irmã-conselheira. Ou seja… terreno proibido para os que me respeitam. Isso sem contar minha porção de feiúra, claro.

Numa suruba duas coisas devem perdurar: a criatividade e a honestidade. Bocas carentes e corpos expostos também óbvio, e claro qualquer dose anti monotonia. Sim, todo mundo gosta de passar por descolado, mas ancorado num subterfúgio. Exposição assim de graça. Na base do deboche e despudor? Para os amigos dos outros não os meus.

Justiça seja feita, dos 8 – tirando eu, o nono elemento – metade se jogou na “proposta”. Se desnudou, “chamou pro pau” (literalmente), caiu de boca, e tocou o foda se mostrando a bunda. Revelando sua passividade, permissividade, necessidade. No melhor estilo “to nem ai”. Quase retrô, se não tivesse soado decadente. Uma pena.

Se uma maça podre estraga o cesto. Que dirá três? O que mais me decepcionou e me irritou não era nem a falta de tesão no coletivo do trio, mas a falta de sinceridade. De, ou cair dentro da roda, ou ir embora. Não ficar como um grilo falante e impertinente a literalmente atrapalhar a graça alheia.

Penso que numa suruba ninguém pode ser hipócrita. E não há nada que me irrite mais do a hipocrisia. Falso moralismo, pudor infantilizado, arrogância. E na roda dos meus amigos, isso estava tudo junto misturado. Uma pena.

Digo isso porque a coisa desandou e me decepcionou. Se fossemos todos recém saídos da adolescência, ok. Mas são todos ‘passado’ dos 30. Todos rodado em seu histórico de bicha solteira. Todas com seus critérios pré-estabelecidos. Seus recursos inegociáveis de se lidar com a carência e a abstinência do sexo. Todos com uma lista infinita de “peguetes” que incluía inclusive um ou outro da roda. Amigos de porta de bar, de sala de hospital, de hall de cinema, ombros amigos, mãos solidárias. Risos complacentes. Não. Tanta – suposta – intimidade, não assegurou uma boa sacanagem entre amigos.

Não há sacanagem maior do que o riso frouxo, não compartilhado. Você permitir que seu “amigo” se exponha enquanto você se exime. Se recolhe. Se protege. Se resguarda. Sacanagem é você não estar entre os seus e não assumir isso. Claro, o tesão quase nunca é coletivo. Mas e o humor, o deboche, o coleguismo? È um rebuscamento para poucos, rir de sim mesmo. Não… algumas pessoas ali hipocritamente preferiram se esconder atrás de suas máscaras coloridas. Ai que triste, fiquei pensando.

Uma vez me vi no meio de outra suruba. O negócio começou e eu fiquei olhando. Só tinha um amigo – e eu não precisava me preocupar com ele, que estava ocupadíssimo – e vários desconhecidos, do qual eu não queria nenhum. O que eu fiz? Virei às costas e fui para o meu quarto. Deixei que a diversão corresse sem a minha presença. Eu não tinha o que acrescentar ali. Simples assim.

Na tentativa “de” dos amigos, eu também virei ás costas e acabei no meu quarto. Porque não dava nem para rir, ser voyeur, segurar a mão “dazamigas” – enquanto ela(s) fazia(m) o serviço. Não, não havia espaço para uma diversão sadia e histórica. Tudo soou como um arremate chato e decepcionante entre os pares.

E se esse blog é para falar de ausências. Neste encontro eu me deparei com várias. Não posso especificar. Não quero expor os amigos. Deixe que os mesmos tirem suas próprias conclusões. Até porque uma pretensa conclusão em que uma parte do todo não concorde é pior do que uma trepada mal dada, para acabar com a amizade.

“…porque amiga… a pior coisa é um trepada quando fica engasgada. Vira um lembrança agoniada”- Seu Alceu (Bicha Oca)

Numa suruba duas coisas não podem faltar: respeito e companheirismo. Mãos carinhosas e “amiga” também, óbvio (assim, repetitivo mesmo). E pode ser com aditivos – ai como odeio a maconha, ela imbeciliza o outro – desde que eles potencializem o “melhor”. Não que revele pessoas paranóicas e frustradas. Recalcadas em suas subversões. Surubinha entre amigos é algo moderno e descolado, legal de se ver nos filmes, nas séries de TV, para os meus amigos – tão afeitos desses exemplos – não.

Créditoda foto: André Medeiros Martins

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