O menino que chora

"(...) procure sua turma. É fácil  reconhecer os integrantes dessa comunidade: são aqueles que acham graça das mesmas coisas, que saltam juntos para a transcendência, que têm o mesmo repertório. São aqueles que não necessitam de legendas, que estão na mesma sintonia, e cujo histórico bate com o seu. Sua turma é sua ressonância, sua clonagem, é você acrescida e valorizada. Sua turma não exige nota de rodapé nem resposta na última página. Sua turma equaliza, não é fator de desgaste. Com ela você dança no mesmo compasso, desliza, cresce, se expande. Sua turma é sua outra família, aquela, escolhida." - Martha Medeiros (Revista O Globo 13/01/13)

“(…) procure sua turma. É fácil reconhecer os integrantes dessa comunidade: são aqueles que acham graça das mesmas coisas, que saltam juntos para a transcendência, que têm o mesmo repertório. São aqueles que não necessitam de legendas, que estão na mesma sintonia, e cujo histórico bate com o seu. Sua turma é sua ressonância, sua clonagem, é você acrescida e valorizada. Sua turma não exige nota de rodapé nem resposta na última página. Sua turma equaliza, não é fator de desgaste. Com ela você dança no mesmo compasso, desliza, cresce, se expande. Sua turma é sua outra família, aquela, escolhida.” – Martha Medeiros (Revista O Globo 13/01/13)

Aurélio é um amigo que conheço a muito tempo. Nem me lembro quando, mas me recordo bem quando ele começou a fazer sentido depois que me levou para o RJ. Sim, creio, que foi graças a ele que pisei na tal cidade maravilhosa pela primeira vez. Que quase fui assaltado na Praia de Copacabana, que fui ao Cristo Redentor e tal. Faz muito tempo.

Na comemoração dos 10 anos do “Réquiem…”, Aurélio se tornou uma grata e necessária surpresa. Além de receber meu público, registrou as peças e fez pequenos vídeos – foram ao todo 36 videos, e centenas de fotos – não consegui contar ainda. Registros necessários e importantes para que o evento permanecesse na minha memória e não me traísse com o passar do tempo. Sinto saudades de não ter mais uma casa – mesmo que fictícia – para chamar de minha. Para receber os amigos. Na verdade nunca tive uma casa. Terei?

Mas o que mais me chamou a atenção nessas cinco semanas que eu e Aurélio nos víamos e fofocavamos e riamos e reclamavamos e debochavamos, foi quando ele chorou ao saber da minha historia com Marco Franceschi (fez um ano dia 09/03/13 que ele morreu) e seus desdobramentos.

Quando ele começou a chorar parece que o desconheci naquele momento. Foi uma surpresa boa. Não vê-lo chorar. Mas vê-lo comovido por uma história minha tão importante que é como se ele chorasse no meu lugar, por mim – que não consigo mais.

Estava tarde da noite, o amigo precisava pegar seu último ônibus, mas estava ali. Chorando as nossas desilusões amorosas. Não puder acompanha-lo com minhas lágrimas. Uma pena. Era o típico momento para se sentar numa guia e chorar chorar chorar. E sem o desespero de se saber só e desiludido. Mas sim com a certeza de que não se está sozinho nessa constatação.

Meu amigo Aurélio já aprontou das deles. Mas nada como o perdão para continuarmos. Eu também devo ter aprontado e ele em silêncio perdoou. Não é como eu, de cobrar. Se mantêm calado e sereno, sempre pronto a olhar para frente. Para não ver os percalços, a maledicência. Uma criança crescida com salto alto e seus guizos.

Este post é um agradecimento público por tudo o que o Aurélio Prates Rodrigues fez por mim e por meus personagens nesse começo de 2013. Há tempos não me sentia cumplice de alguém, como me senti com ele entre suas lágrimas.

Quando fui embora fiquei pensando no quanto as pessoas se comoveram com a minha historia, com a do Marco. Do quanto alguns amigos se comovem com a história que carrego vazando no peito, consequências…
Eu e Aurélio não tocamos mais no assunto. Não precisa. Aprendemos mais um com o outro. Talvez a entender nossas escolhas, os silêncios, os senões.

Obrigado, Aurélio, muito obrigado.
Com amor
Rodolfo Lima

Crédito das fotos: João Pedro Matos

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Uma resposta para O menino que chora

  1. Telma Lazaro disse:

    Ah ele é uma pessoa linda mesmo mesmo. Dessas que quem não conhece quer conhecer , ou no mínimo sentar e ter uma longa conversa.
    Fiquei em paz em vê-lo na casa cuidando de tudo com tanta tranquilidade, atenção, acolhimento.
    Lindas as fotos, o texto. Beijo em vcs.

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