Rui Padoim

"Fui perguntar se tinha mudado alguma coisa – Não! Eu mudei. Constato, logo existo. " - Rui Padoim

Há um tempo atrás escrevi um post intitulado Os amigos da Alice. Faltou um. Rui Padoim esteve em muitas apresentações, fotografou a peça, levou amigos, se divertiu com os erros e os acertos e fez o que um verdadeiro amigo faria, não abandonou a mim e nem a peça, mesmo já sabendo de cor o teor da peça. Assim como meu finado amigo Marcus Lima, Rui esteve presente quase sempre, com seu sorriso sádico, seu cigarro e sua cervejinha, um personagem, talvez mais intimo da Alice do que de mim. Vasculhando todo o material da peça descubro dois textos do Rui escrito em diferentes momentos, revelam sua preocupação, generosidade e  sensibilidade. Obrigado querido, eu e a Alice agradecemos por nunca ter nos deixado sós.

Modesta pretensão de crítica à 1 amigo – Réquiem para 1 rapaz triste

Um autor e suas mulheres. Desnuda não exatamente todas as mulheres do mundo, mas muitas delas. Chatas, reclamonas, belas, sedutoras, maduras. Não ficam só na angústia da solidão, apontam para o escapa nosso de cada dia e são felizes vivendo lá a vida delas.

Uma dupla, um monólogo. A direção/atuação é tão nítida e saudável que se funde no riquíssimo resultado, nunca se sabe quando começa o texto, como surgiu aquela marca, porque ele esta fazendo isso, como ela faz uma coisa dessas. Sempre um movimento diferente, numa tentativa de cobrir o grande vazio que é a vida da mulher/personagem, e ela fuma de novo. O entrosamento dos amigos, no entanto, peca quando tolhe, ou afrouxa, possibilidades de olhar, uma dose de precisão aprofundaria a abordagem dalgumas cenas, que ganhariam penso, pelo menos tons diferentes.

Rodolfo Lima dispõe à estas mulheres de Caio Fernando Abreu um poder que, sem dúvida, está intrínseco, ou melhor, veio de fábrica. A fala, de cadência perfeita, íntima, confidente, de segredos e de verdades sujas, nos faz até rir, de quem? O toque, languido, audaz, nos faz tremer, de medo? O olhar tão real, direto ou distante, mostra e esconde, estamos vendo? Seu único pecado é ser ele demais, sincero demais, bom demais, “over” de menos, porque cá entre nós, o universo dessa mulher não é uma caixinha de esmaltes toda arrumadinha, com certeza lá no fundo tem um vidrinho espatifado, algodão sujo, lixa velha, um aborrecimento, um grito, uma lágrima, um sorriso escancarado.

Ivania Davi está livre de esteticismos e teatrismos, deixa o clima pintar, abusa da simplicidade e do realismo. Pena não ser mais dura ao impor seu olhar, ao deixar escapar pequenos detalhes que são essenciais na simplicidade, como no caso das bitucas de cigarros, inúteis no chão, no apagar de acender da luz, os romances baratos delicadamente desarrumados, elementos que deveriam ser usado dramaticamente e não decorativa ou aleatoriamente.

Ao meu ver a dupla está pronta para inverter os papéis, tirando proveito das cumplicidade/simbiose, numa próxima montagem, quem sabe abordando um universo masculino.

(enviado por e-mail  – 09/01/04)

Dia do espectador – Mostra Caio Fernando por Rui Padoim

Roda a Roda

“Réquiem para um Rapaz Triste”, de 09 a 30 de maio (sábados às 21hs). A Mostra Caio Fernando no Casarão Belvedere estreou semana passada e com ela novos e antigos espetáculos para “mostrar” aspectos da literatura de Caio Fernando Abreu, autor gaucho que vai muito além de Morangos Mofados, seu clássico da literatura dita gay. De terça a domingo os espetáculos se alternam , assim como se alternam estréias mundiais, como “O Dia Em Que Júpiter Encontrou Saturno”, direção de Paulo Goya, junto a espetáculos de mais de seis anos de estrada, caso do citado Réquiem.

Nestes trampolinícos sábados de maios poderemos encontrar na intimidade de seu quarto Alice (Rodolfo Lima) aprontando-se para sair… de dentro e si mesma. Como num salto rumo ao desconhecido, ela se lança para dentro da gente. O que eu vivi foi um encontro sabático com Caio e suas idéias mais sensíveis, no sentido de terem sido vividas na pele.

Uma sociopata compulsiva de uma lucidez esquizofrênica com uma voz interior intermitente como que martelando uma frase, a sua frase, e uma intimidade encontrada por ela dentro de você, relacionada à vida e as suas complicadas relações com o mundo, a sociedade, os amigos, os amores mas principalmente com a falta de tudo isto. A impressão foi forte pois eu conhecia o espetáculo em sua estréia em 2004. Fui perguntar se tinha mudado alguma coisa – Não! Eu mudei. Constato, logo existo.

Segundo Rodolfo, ator que também é curador da mostra. Quem se propuser a acompanhar a mostra, com oito trabalhos, poderá ter uma noção da diversidade literária de Caio.

(publicado no endereço http://literaturacotidiana.com.br/?p=1304 dia 19/05/2009)

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Uma resposta para Rui Padoim

  1. mioda huy disse:

    amor….
    essas coisa a gente nao explica
    se explicita!!!
    vamos induuuu…
    bjs

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