O medo do medo

 

 

O amor é o fascínio recíproco de duas pessoas por aquilo que elas têm de menos dizível. – André Gorz

E no meio de uma música brega, casais envelhecidos, num canto, entre o espelho, as luzes, o breu, um vão, você me perguntou se eu não tinha medo. Disse, não. Não tenho medo. E o que pensei foi: não quero sentir medo. Ele existe, rodeia meus pensamentos, transforma meus sonhos em pesadelos e pode me paralisar. Então não, não quero ter medo do medo.

“O medo coloca tempero nas coisas” – do filme Balada do Amor e do Ódio

Enquanto você me beijava e bebíamos da mesma fonte, queria acreditar que sim. Que seria possível um final feliz para “isso” que estava acontecendo. Que minhas aflições não passariam de recusas rotineiras de uma alma cansada. E suas debilitações fruto de uma vida desregrada, descuidada, tristonha.

Enquanto nos colávamos, lembrava do seu desejo de morrer, de suicidar, dos seus olhos lacrimejantes. Eu andando ao seu lado, sem saber o que fazer, não podendo compartilhar com aquilo, não querendo ser cúmplice de uma atitude que acho tão invejável. Acho corajoso querer dar cabo da própria vida sem o menor medo ou pudor do que vem depois. O medo do que vem depois sempre me paralisa. Por isso vivo tudo agora.

Algumas coisas não se compreende aprendendo-as, mas sim deixando que nos aprendam – Madre Teresa de Calcutá

E tudo agora, é vivenciar você no que há de pior e perigoso. Me faço forte, mas como supor até onde não sairei lesado? Como prever onde fica a linha invisível que limitaria o meu acesso? Acho tudo sadicamente irônico e risonho. De novo eu em volta das mesmas questões. Testando minha saúde: emocional, física.

Acho que o sacrifício não vale. Nenhum sacrifício vale a própria saúde. Se doar é um ato solitário que esburaca algo que não sei nomear. Dentro de mim, fora de mim, ao meu redor, os fantasmas permanecem. Procuro não ter medo deles.

O medo do medo me persegue, mas vivenciar você, talvez seja um ato corajoso e excitante. Impulsivo e solitário. Sei que estou só. Que nada devo esperar da sua máscara colorida. Que eu talvez seja uma espécie de estepe. O lobo da estepe?

Todas as situações são adversas, quando se trata de você. Mas me sentir atraído por isso que compõe seu universo é o maior enigma de todos. O erro está em mim? A qualidade está em você? O motivo é justo para ambos? Muito difícil analisar friamente. Portanto o calor que produz com meu corpo no seu, me faz mais esperançoso. Me instiga a querer saber o que de efêmero compõe aquele momento seco e quente. Duro e tão necessário. Que fome é essa? Como (sobre) viver sem ela?

O desconhecido não me perturba – espero curioso, fascinado esperançoso pelo que pode emergir – Milton Erickson

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2 respostas para O medo do medo

  1. Adryana disse:

    affffffff!!! que inveja kkkk quero eu quero ser igual a vc quando eu crescer pq eu ainda não cresci eu só sei fugir, sair correndo, virar as costas, fingir que eu já sabia que as coisas iam acontecer assim ou assado, e agora involuntariamente no lugar de enlouquecer eu quero apenas sorrir (será que eu ja posso enlouquecer ou devo apenas sorrir Pit) falaaaaaaaaaaaa!!! fala para ele por mim td o que eu não consigo falarrrrrrrrr!!!
    Eu não quero este sorriso mórbido que me provoca tanta câimbra facial.

    Bjs vc é o Maximo!

  2. Rodolfo Lima disse:

    Acredito que a única fórmula de crescer e tentar aprender alguma coisa nesse mundo cão dos sentimentos é tentando, mesmo que dando cabeçadas, é se expondo, mesmo que o outro ria de nós, é nos oferecendo, mesmo que o outro nos despreze. Que jogue na nossa cara que “não servimos” como se fossemos uma roupa, um movel. Infelizmente as relações parecem mais campo de batalha, quem esconde mais, quem mostra menos, que consegue burlar, enganar, forjar, machucar. Repito sempre para ti: seja sincera, se exponha, pois no mínino você estará livre, se sentirá leve. O Carpinejar fala uma coisa + ou – assim: “tenho horror de carregar uma história que não aconteceu, viver anos pensando no que poderia ter sido e não foi. Quero morrer ardendo.”
    Acho lindo e concordo inteiramente. Prefiro ser destroçado a viver enganado. Porque a verdade é que um dia levantamos, pode ser aos pedaços, meio torto, meio zonzo. Mas a vida obriga a gente a continuar, os afazeres, as obrigações.
    Concordo que fuja, mas antes disso vomite seu coração na mão dele.
    Voltará para casa vazia, é fato. Mas é melhor do que morrer envenenada. Engasgada com o afeto que não ofertou – dê a chance dele desprezar seu sentimento, dê a ele essa opção – e que agora permanece preso na garganta.
    Liberte-se!!!
    Rodolfo Lima

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