Não me lembro…

"... ele me levou para ver aquele filme, o... não lembro" (Bicha Oca)

Sempre lembramos de um não. De um beijo recusado. De um abraçado não dado. De um olhar fugidio, quando o que se mais queria era ter o olhar compartilhado, devassado. Com o tempo, nos esquecemos dos pesos dos nãos. Eles acabam virando peso morto dentro da gente, é mais um, tipo peso de porta. Inútil, mas sempre presente.

Assim com seu Alceu, eu também não me lembro. Ou deletei para não sofrer, ou alguém nunca se fez presente na semana seguinte, no ano seguinte. Ou melhor, uma se fez, mas não era para o meu “bico”. Alguém será?

Recusamos tantas coisas e com muita facilidade um beijo, um abraço, o afeto alheio. Eu assumo, nunca sei o que fazer com isso e já vou verbalizando para assim vitimizar e matar qualquer possibilidade de subjetividade. Ai como queria ser diferente, mas ninguém me mostra como, ninguém tem paciência, me aceita, pacientemente me prova o contrário. Me cansa ser assim. Os tapados e ignorantes são mais felizes? Sempre acho que sim.

 De que adianta tanta sagacidade. Tanta sensibilidade. Tanto carinho vomitado com as palavras se no final o que sobra é…

Depois de uma noite de tanto prazer. Quando eu acordei, cadê o amor? (Bicha Oca)

Ah Seu Alceu como não me torna você amanhã? Como acreditar que ainda é possível, quando não se vislumbra nada a frente? Como se sentir protegido, se a solidão de dentro as vezes me cega? Como ter prazer novamente e reapreender a olhar com a pele? Como ser fazer novidade para mim mesmo?

Preciso que vc me ensine Seu Alceu, a não seguir o mesmo caminho que ti. Preciso que o personagem me abrace e me guie pela ficção de mim mesmo. Tudo é tão real em volta de mim

"Eu não quero realidade, eu quero magia" - Blance Dubois (Tennesse Williams)

Como não ter um discurso rancoroso? Alguém me dá uma dica? Como Alice as pessoas para mim são como cigarros. E como me livrar disso? Dessa depreciação de si mesmo e do outro. Como ser diferente quando só se pode ser igual?

Não sei aonde vou parar. To fugindo de mim mesmo. Fugindo do passado. Do meu mundo assombrando(…) de incertas.

Inveja do Seu Alceu que rumina o passado como um boi que se sabe ignorante. Inveja da Alice que não desisti nunca e se esforçar para ter o brilho nos olhos. Inveja das personas que crio. Serão eles mais fortes do que eu?

Repito: quando as cortinas se abriram e tudo não passara de ficção Não me lembro de quantas vezes disse sim, sem que o sim fosse possível. Talvez ele nunca foi, eis o x da questão. Será um dia?

Quando vou  – voltar a – acreditar em alguém?

Obs: As fotos são creditadas a Patricia Barcellos e foram tiradas na primeira temporada da peça “Bicha Oca” em julho de 2009.

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2 respostas para Não me lembro…

  1. Rener Melo disse:

    Eu gostei disso, Rodolfo.: “Os tapados e ignorantes são mais felizes? Sempre acho que sim.”

  2. Rodolfo Lima disse:

    Obrigado pela visita Rener!!!

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