O amor, um dia

 

“Se alguém me amasse um pouco, não estaria aqui e agora, sozinha, longe de mim” (O Rato) - Caio F.

O principio do amor – para mim – é a aceitação. Quando temos a generosidade de entender as nuances do outro; a aceitar os defeitos diários – que nos fazem únicos e singulares; a buscar compreender, antes de julgar; a se empenhar em acreditar e não destruir. A perceber que todos somos falíveis.

Mas não é fácil ser assim, na mesma medida que sou criterioso – embora me esforce em não ser –, que procuro ser compreensivo, ainda não achei alguém que tivesse a mesma retórica comigo. Ou alguém que me fizesse rever as minhas escolhas. Nada melhor do que ser surpreendido pelo outro, pelas escolhas do outro, pelo sim. Embora Não estejamos preparados para o afeto alheio, li um dia, em algum lugar.

Em minhas peças o amor e sua falta é algo latente. Afinal não é possível prosseguirmos sem amar algo ou alguém. Lembro sempre de uma conversa que tive com uma amiga – Telma Lazaro – que me disse uma vez: Eu preciso estar amando, porque quando eu amo, acho que tudo é possível.

Oh amiga, lembro sempre de você como exemplo. Até porque para mim é muito difícil amar, se entregar, acreditar em alguém, achar que é possível. Sempre esperamos que a vida nos surpreenda e quando isso acontece, nos acovardamos. (Será que estou agindo assim agora?)

“Eu vou ficar esperando ele numa tarde cinzenta de inverno e então meu braços não serão suficientes para abraçá-lo e minha voz vai querer dizer tantas, mas tantas coisas que vou ficar um tempo enorme só olhando, olhando e pensando: meu Deus! Ah meu Deus, como você me dói vezenquando…” (Réquiem…)

Eu tenho algo que beira o respeito/o resguardo. Uma tolice né? Pois algumas pessoassimplesmente pedem para serem desrespeitadas e eu não consigo, principalmente se eu gostar, ter afeto, respeito. Então minha “covardia” tem outro nome, outra cor, outro formato.

Acho que sou destreinado na ternura (Todas as horas…)

Preciso que alguém que eduque no afeto. Me faça ver que esse caminho é possível. Para que eu pare de consumir pessoas como se consomem cigarros, para que eu pare de ficar pensando no “amigo” de outrora, para que eu não seja rancoroso e ache que o meu tempo já passou. Não, não quero restar só, desiludido. Tenho horror a rancores, dá câncer. E disso prometi que não morro.

“Eu quero ficar com você, que quero tomar conta de cada batida do seu coração, cada respiração do seu peito. A ovelha grudada em você, eu vou ouvir o barulho de cada engrenagem do seu corpo, eu vou tomar conta do seu corpo como um mecânico, tomar conta da sua máquina…serei a bolsa  onde você vai guardar os seus mistérios” Roberto Zucco

“… amar e ser amado era tudo o que eu queria, pertenço como nunca desde agora a essa insólita confraria dos enjeitados, dos proibidos, dos recusados pelo afeto, dos sem-sossego, dos intranqüilos, dos inquietos, dos que se contorcem…” – Raduam Nassar (Lavoura Arcaica)

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